21/02/2011

Métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto: uma revisão sistemática

Texto & Contexto - Enfermagem

version ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.19 no.4 Florianópolis Oct./Dec. 2010

doi: 10.1590/S0104-07072010000400022 

REVISÃO DE LITERATURA
 
Non-pharmacological approach to pain relief during labor as hard-light care technology: a systematic review

Los métodos no farmacológicos para aliviar el dolor durante el parto: una revision sistemática


Michele Edianez GayeskiI; Odaléa Maria BrüggemannII
IMestre em Enfermagem. Enfermeira do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Santa Catarina, Brasil. Email: michelegayeski@hotmail.com
IIDoutora em Tocoginecologia. Docente do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. Santa Catarina, Brasil. Email: odalea@ccs.ufsc.br


RESUMO
Revisão sistemática que objetivou avaliar os resultados maternos e neonatais decorrentes da utilização de métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto, classificados como tecnologia leve-dura. Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados CINAHL, MEDLINE, LILACS, SciELO, SCOPUS e Isi Web of Science. Incluiu-se 12 ensaios clínicos randomizados elegíveis, publicados entre 1980 e 2009, que avaliaram o banho de imersão, a massagem e a aromaterapia. Os resultados mostraram que o banho de imersão deve ser iniciado após 3 cm de dilatação, para não prolongar o trabalho de parto e prejudicar os resultados neonatais. A massagem é eficaz no alívio da ansiedade, dor e estresse, sendo mais efetiva para reduzir a dor, quando utilizada no começo da fase latente. A aromaterapia diminui a ansiedade e o medo. É necessário estabelecer parâmetros de aplicação de cada método para que os resultados maternos e neonatais sejam positivos e contribuam para a satisfação da mulher.
Descritores: Trabalho de parto. Dor do parto. Ensaio clínico. Enfermagem obstétrica.

ABSTRACT
The objective of this systematic review was to evaluate the maternal and neo-natal results generated from the utilization of non-pharmacological methods for pain alleviation concerning the strains of delivery, classified as light-to-hard technology. Research was carried out in the following databases: CINAHL, MEDLINE, LILACS, SciELO, SCOPUS, and Isi Web of Science. This study is composed of 12 randomized eligible clinical tests published between 1980 and 2009 which evaluated immersion baths, massages, and aromatherapy. Results show that the immersion bath should be initiated after 3 cm of dilation in order not to prolong the strains of delivery and harm neo-natal results. Massage is efficient in alleviating anxiety, pain, and stress, being most effective in reducing pain when utilized in the beginning of the latent phase. Aromatherapy diminishes anxiety and fear. It is necessary to establish parameters for the application of each method in order that maternal and neonatal results are positive and contribute to the woman's satisfaction.
Descriptors: Labor. Labor pain. Clinical trial. Obstetrical nursing.

RESUMEN
Se trata de una revisión sistemática con el objetivo de evaluar los resultados maternos y neonatales de la utilización de métodos no farmacológicos para aliviar el dolor durante el parto, que son clasificados como tecnología blanda y dura. Se realizó una búsqueda en las bases de datos CINAHL, MEDLINE, LILACS, SciELO, SCOPUS y el ISI Web of Science. Se incluyeron 12 ensayos clínicos aleatorios elegibles, publicados entre 1980 y 2009, en los que se evaluaron: el baño de inmersión, el masaje y la aromaterapia. Los resultados mostraron que baño de inmersión debe ser iniciado después de 3 cm de dilatación para no prolongar el trabajo de parto y afectar el resultado neonatal. El masaje es efectivo para aliviar la ansiedad, el dolor y el estrés, siendo más eficaz en la reducción del dolor cuando se usa temprano en la fase latente. La aromaterapia reduce la ansiedad y el miedo. Se deben establecer parámetros para cada método de aplicación en la que los resultados maternos y neonatales sean positivos y contribuyan a la satisfacción de las mujeres.
Descriptores: Trabajo de parto. Dolor del parto. Ensayo clínico. Enfermería obstétrica.


INTRODUÇÃO

A dor do parto faz parte da própria natureza humana e, ao contrário de outras experiências dolorosas agudas e crônicas, não está associada à patologia, mas sim, com a experiência de gerar uma nova vida. No entanto, algumas mulheres consideram que é a pior dor sentida e, muitas vezes, superior ao que esperavam.1

Essa dor resulta de complexas interações, de caráter inibitório e excitatório e, embora, seus mecanismos sejam semelhantes aos da dor aguda, existem fatores específicos do trabalho de parto de natureza neurofisiológica, obstétrica, psicológica e sociológica que interferem no seu limiar.2 Desta forma, as opções não farmacológicas podem auxiliar a parturiente no alívio da dor.

A manutenção do equilíbrio emocional durante o trabalho de parto é fundamental, pois quando os níveis de adrenalina estão altos, o sistema nervoso simpático é imediatamente ativado, aumentando os níveis plasmáticos do hormônio liberador de corticotrofinas, do hormônio adenocorticotrófico e do cortisol, comprovando que o estresse é um mecanismo biológico adaptativo e de defesa.3

Tendo em vista esses aspectos, torna-se evidente que devem ser desenvolvidas ações para diminuir o nível de estresse e ansiedade da mulher durante o trabalho de parto, pois mesmo com a utilização de vários analgésicos, sozinhos eles não podem gerir esse fenômeno multidimensional que é a dor.4

Os Métodos Não Farmacológicos (MNFs) para alívio da dor, utilizados durante o trabalho de parto, são tecnologias de cuidado que envolvem conhecimentos estruturados quanto ao desenvolvimento da prática de enfermagem em centro obstétrico. O uso desses métodos vem sendo alvo de estudos desde a década de 60,5 entretanto, de maneira geral, passaram a ser introduzidos em algumas maternidades brasileiras a partir da década de 90, com o movimento de humanização do nascimento e com as recomendações do Ministério da Saúde (MS) para assistência ao parto.6-7

Esses métodos baseiam-se em conhecimentos estruturados, mas que não necessitam de equipamentos sofisticados para sua utilização, podendo ser aplicados, até mesmo, pelo acompanhante de escolha da mulher. Considerando a classificação de Merhy e Onocko,8 eles podem ser classificados como tecnologia leve-dura, uma vez que está baseada nos saberes estruturados, tanto dos profissionais de saúde como em relação à clínica e a 
epidemiologia, organizando sua atuação no processo de trabalho.

Assim, essa revisão sistemática teve como objetivo avaliar os resultados maternos e neonatais decorrentes da utilização de métodos não farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto, classificados como tecnologia leve-dura de cuidado.


MÉTODO

Para a elaboração dessa revisão sistemática da literatura foi realizada uma pesquisa nas bases de dados CINAHL, MEDLINE, LILACS, SciELO, SCOPUS e Isi Web of Science entre 1980 a março de 2009, utilizando-se as palavras-chave: bola obstétrica (obstetric ball), banho terapêutico (therapeutic bath), massagem (massage) audioanalgesia (audioanalgesia), aromoterapia (aromatherapy), mudanças de posição (changes of position), técnicas de respiração (breathing techniques), focalização da atenção (focus of attention), métodos não farmacológicos (non pharmacological methods) e dor no parto (pain in labor).

Foram definidos como elegíveis os Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) que avaliaram a aplicação do banho terapêutico, massagem, técnicas de respiração e relaxamento, aromaterapia, mudança de posição, audioanalgesia e focalização da atenção. Esses métodos foram considerados como tecnologia leve-dura, com base em Merhy e Onocko2, uma vez que a aplicação deles não está condicionada à necessidade de formação profissional específica ou recursos tecnológicos de ponta (tecnologia dura).

As etapas metodológicas foram baseadas em Greenhalgh9: 1. Definir os objetivos da revisão dos ensaios clínicos randomizados e os critérios de elegibilidade; 2. Selecionar os ensaios clínicos randomizados que atendam aos critérios de elegibilidade; 3. Elencar as características identificadas de cada estudo e avaliar sua qualidade metodológica; 4. 
Aplicar os critérios de elegibilidade e justificar qualquer exclusão; 5. Analisar os resultados dos ensaios clínicos randomizados; 6. Comparar e sintetizar os resultados dos ensaios clínicos analisados; e 7. Preparar um resumo crítico da revisão. A avaliação metodológica de cada ECR elegível foi a partir dos conceitos de Hulley et al.10

Constituído o conjunto de ECRs, identificou-se: o local de realização (país), ano de publicação, objetivo, amostra, técnica de randomização, o método não farmacológico para alívio da dor utilizado, pessoal/profissional que aplicou o método e a participação de acompanhante ou familiar na aplicação do mesmo e o método de avaliação da intervenção.
Após a avaliação metodológica, foram analisados os resultados maternos e neonatais, entre eles: taxa de cesárea, analgesia de parto, tempo de trabalho de parto, satisfação e/ou opinião da mulher, tolerância/alívio da dor, níveis de ansiedade, uso de fármacos, ruptura de membranas, Apgar do Recém-Nascido (RN), taxa de transferência para Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN), tempo de permanência do RN na UTIN e necessidade de reanimação cardiorrespiratória pós-parto. Esses resultados foram agrupados por tipo de método avaliado nos ECRs para posterior síntese dos resultados.

RESULTADOS

Características dos ensaios clínicos randomizados
Foram localizados somente 22 ECRs que avaliaram métodos classificados como tecnologia leve-dura. Destes, 12 foram incluídos... Continue aqui

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